Acabo de conhecer o Sr. Cavell.
"Stanley Cavell é um dos grandes filósofos da segunda metade do século XX. Escreveu sobre estética e filosofia da linguagem, cinema e teatro, ópera e literatura, Wittgenstein e Austin, Heidegger e Thoreau, Shakespeare e Mozart, Fred Astaire e Platão. "
Senhor dos seus oitenta e poucos... olhar inteligente e uma postura tão classica como o cinema de que nos iria falar.
Stanley Cavell entra já a noite estava escura e fria. Chegou atrasado e a pronuncia Inglesa dava-lhe um estatuto ainda mais elevado em relacão aqueles que o esperavam.
Vestia um sobretudo beije, olhos azul-esverdeado,e....o chapeu.
Assim que entro reparo na presença de um outro fotógrafo que eu nunca antes vira, mas que com orgulho exibia uma Leica, e ainda uma outra maquina que de relançe me pareceu ser uma Nikon.
Queria fazer uns retratos do Sr. Cavell, mas o meu colega anticipou-se e começou o seu trabalho antes de mim.
Assim que dirige a palavra ao fotografado pede-lhe imediactamente que o tire - o chapeu.
E assim o fotografou durante tantos disparos quantos a pelicula o permitia. Depois foi a minha vez.
Assim que dirigo a palavra ao fotografado peço imediactamente que o coloque - o chapeu.
Fiz as minhas fotos, e ele com a astucia de um filosofo apenas me observou. Em seguida, depois de tudo o que o que os seus olhos já me tinham transmitido diz-me ele assim : "Sabe, nunca antes ninguem me fotografou de chapeu. E eu gostava tanto de ser fotografado de chapeu"...
Sorri.
Em silencio pensei [porque será que tem de se pedir a uma pessoa para que tire o chapeu se é de chapeu que a pessoa gosta de estar? se é com chapeu que a pessoa se vê e se identifica? ainda para mais um chapeu tao classico, e que assentava que nem uma luva na postura daquele senhor. O chapeu era a sua personalidade. Sem sombra de duvida].
Depois de mais umas fotos caçadas com a minha reles maquina...(nao tenho uma Leica) o Sr. com quem acabo de simpatizar pede gentilmente que lhas ofereça. Aponto cuidadosa e nervosamente o seu endereço electronico.
Antes de voltarmos costas ainda teve tempo de me dizer "Nice to meet you" ao que respondi "nice to meet you too".
Quando deliciosamente volta a dirigir-me a palavra para me perguntar o nome.
Disse-o. Soletrei-o.
"Beautiful name".
"Beautiful" foi o modo como atravéz de um simples chapeu consegui ver que uma pessoa que mora na outra ponta do mundo pode ter tanto a ver comigo...