quantas vezes o vento muda?
Ela tenta ser discreta, mas eu ja percebi. Vê-se bem no olhar dela.
Ela chega e a primeira coisa que faz, ainda antes de despir o casaco, ainda antes de sentir o cheiro da tinta fresca...procura por ele. Tão subtilmente que toca aqueles por quem passa. Mexe no cabelo, arregaça as mangas, toca as orelhas.. e numa fracção demasiadamente bem calcula para ser casual, espreita para o lado direito.
Eu já vi, já percebi por quem procura, mas ela nem deu por mim, de tão concentrada que estava em encontrá-lo; do tão concentrada que estava em camuflá-lo.
Eu sento-me vendo os sorrisos a passar, os sentimentos a mudar, as folhas a cair, o tempo a amadurecer.
Ela notou que o ceu ficou frio, que o tempo se tornou cinzento onde folhas secas como os anos que os separam caiam em suaves pinceladas de avisos.
o vento mudou e ele nao voltou.
Deixa-me contar isto à minha maneira.
Ele há dias meteu-se com ela. Eu vi, estava lá de corpo presente, não querendo incomodar uma conversa delicada onde olhares de taurear se encontram e se escondem. A corte.
Há dois dias, nessa mesma conversa lembro-me de o ter visto vestido de escuro. Ele descia, ela queimava tempo que se queima prazerozamente, como a cinza. Trocaram sorrisos e pedaços soltos de palavras com nexo que eu não consegui juntar. Estava demasiado concentrada em tentar entender as formas das expressões deles.
Logo no inicio, lembro-me de o ver meter-se com ela. Fazia com ela aquilo que faz com as outras. Lá do alto dos seus cinquenta e poucos anos, lá do alto de todo o seu poderoso charme apenas sorria. O olhar de sabedoria e o desejo ardente faziam dele o mais temível dos adversários.
Depois perdi a noção das conversas deles. Lembro-me de os ver trocarem sorrisos. Primeiro era ele que corria atrás dela. Bastava ela entrar e ele seguia-lhe o rasto, tirava-lhe as medidas e metia-se com ela.
Ela apaixonou-se e a verdade é que desde o dia em que travaram um duelo de cortesia ele não sorriu mais como sorria, não olhou como olhava e não pedia com os olhos o consumar do acto.
Hoje vi-os cumprimentarem-se. Cumprimentam-se sorrindo, não os vejo com trocas de afectos. Mas se antes era ele que sorria para ela e lhe dava conversa, se antes a via fujir antes de ele chegar... hoje vejo-o o sorrir o sorriso do troféu ganho. Vejo-a a correr deseperadamente pelo voltar aos tempos primaveris.
Hoje ele entregou-lhe um papelinho...
Disse-lhe um "oi" apressado,despreocupado depois de um "olá" arrastado com o sorriso do dia. Ele passou, ela chorou por dentro a falta dele. Ele foi à secretária. desenhou a caligrafia ordenada num papel e veio entregar-lho.
Ela chega e a primeira coisa que faz, ainda antes de despir o casaco, ainda antes de sentir o cheiro da tinta fresca...procura por ele. Tão subtilmente que toca aqueles por quem passa. Mexe no cabelo, arregaça as mangas, toca as orelhas.. e numa fracção demasiadamente bem calcula para ser casual, espreita para o lado direito.
Eu já vi, já percebi por quem procura, mas ela nem deu por mim, de tão concentrada que estava em encontrá-lo; do tão concentrada que estava em camuflá-lo.
Eu sento-me vendo os sorrisos a passar, os sentimentos a mudar, as folhas a cair, o tempo a amadurecer.
Ela notou que o ceu ficou frio, que o tempo se tornou cinzento onde folhas secas como os anos que os separam caiam em suaves pinceladas de avisos.
o vento mudou e ele nao voltou.
Deixa-me contar isto à minha maneira.
Ele há dias meteu-se com ela. Eu vi, estava lá de corpo presente, não querendo incomodar uma conversa delicada onde olhares de taurear se encontram e se escondem. A corte.
Há dois dias, nessa mesma conversa lembro-me de o ter visto vestido de escuro. Ele descia, ela queimava tempo que se queima prazerozamente, como a cinza. Trocaram sorrisos e pedaços soltos de palavras com nexo que eu não consegui juntar. Estava demasiado concentrada em tentar entender as formas das expressões deles.
Logo no inicio, lembro-me de o ver meter-se com ela. Fazia com ela aquilo que faz com as outras. Lá do alto dos seus cinquenta e poucos anos, lá do alto de todo o seu poderoso charme apenas sorria. O olhar de sabedoria e o desejo ardente faziam dele o mais temível dos adversários.
Depois perdi a noção das conversas deles. Lembro-me de os ver trocarem sorrisos. Primeiro era ele que corria atrás dela. Bastava ela entrar e ele seguia-lhe o rasto, tirava-lhe as medidas e metia-se com ela.
Ela apaixonou-se e a verdade é que desde o dia em que travaram um duelo de cortesia ele não sorriu mais como sorria, não olhou como olhava e não pedia com os olhos o consumar do acto.
Hoje vi-os cumprimentarem-se. Cumprimentam-se sorrindo, não os vejo com trocas de afectos. Mas se antes era ele que sorria para ela e lhe dava conversa, se antes a via fujir antes de ele chegar... hoje vejo-o o sorrir o sorriso do troféu ganho. Vejo-a a correr deseperadamente pelo voltar aos tempos primaveris.
Hoje ele entregou-lhe um papelinho...
Disse-lhe um "oi" apressado,despreocupado depois de um "olá" arrastado com o sorriso do dia. Ele passou, ela chorou por dentro a falta dele. Ele foi à secretária. desenhou a caligrafia ordenada num papel e veio entregar-lho.
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