Wednesday, November 30, 2005

Mona Lisa smile

Talvez nao seja a melhor hora para escrever. À pressa... em cima do joelho...
Passeei exaustivamente em ti. As ruas molhadas como nao me lembro de ter visto. Tudo no mesmo lugar, até as plaquinhas magnéticas com as profissões gravadas. Certamente o preço era outro... mas como tudo estava guardado no mesmo lugar, dois anos passados!
Ia passando pelos teus caminhos históricos, aqueles que ficaram registados em centenas de milhares de maquinas fotográficas, videos caseiros...ou apenas memórias de quem por ali passou para poder dizer que ali esteve. "Vi" ali fotografias minhas que nunca passaram de imagens latentes. Está dicidido, é amanha mesmo que vou ao numero 73 A da rua de Santa Marta, vão deixar de o ser e vou poder "tocar" o senhor que se sentava com as suas aguarelas junto ao Arco, ao grande arco, essa grande rotunda onde eu não me aventurava, onde também os senhores das seguradoras não brincam em serviço! Vou libertar a estátua que fotografei enjaulada em ferro enferrujado no jardim dos cactos, passei por lá antes de ontem e era mesmo assim que se chamava.
Gostei de me reencontrar com o sorriso mais famoso do Mundo, agora com uma parede só sua. Primeiro encontrei a intimidade de o olhar novamente. Depois reparei que o meu olhar era igual ao da primeira vez. Centenas de vezes aquele quadro foi impresso, estampado, fotografado... filmado...falado, mas em tudo era igual ao olhar extasiante da primeira vez. Toca-me a ideia de lá ter estado há oito anos, de ter olhado para ela sempre com aquele sorriso enigmático, sempre a olhar para mim, estivesse eu ao centro, à direita...à esquerda.. sempre cúmplice.
Os anos passaram e ela ali estava no mesmo lugar à minha espera, à espera dos meus oito euros e cinquenta apenas para a ver, para me confrontar com ela como se confrontam centenas de pessoas por hora. Depois "olhei-me ao espelho" fiquei lado a lado com o sorriso mais famoso do Mundo, e olhei a cara de satisfação/admiração/desilusão/espanto/felicidade de todos quantos a visitavam, e apesar de encontrar neles diferentes estados de espírito, não encontrei em nenhum uma cara de indiferença. Há algo naquele sorriso e naquele olhar que parece querer convencer-nos de que aquilo não é apenas um pedaço de tela absolutamente bem pintado, é interessante tentar passar para o lado dela, olhar as diferentes reacções que consegue provocar, e perceber que o espéctaculo que ela vê é tao grandioso ou melhor do que aquele que ela proporciona.
E não era nada disto que queria "riscar" mas acabou por seguir lentamente o seu rumo, a ordem natural.
Sao 2.20; lá é uma hora a mais, e não consigo parar de pensar naquele sorriso, naquela sala fria e escura, onde sorri sozinha e espera um novo dia enclausurada, amarrada, amordaçada sempre sorridente o palhaço triste que habita no Louvre... Teria o Leonardo mudado a cor daquele sorriso se adivinhasse o triste futuro que a esperaria?

searching boxes.

Everyday there is a boy in the mirror asking me what are you doing here?

Thursday, November 24, 2005

o lápis amarelo e os teus caracóis ruivos

Torna-se agora ainda mais complicado. Não pela escrita em si, mas o editar daquilo que escrevo. Aparentemente uma coisa complexamente simples. escrever- despejar. Ainda por cima tendo em conta a fraca plateia. Fraca no sentido numérico, meramente, entenda-se! Mas é assim que gosto, coisas meio clandestinas, escondidas... a fazer lembrar aquele dia em que tive de me socorrer no Adamastor. Dinheiro deitado à rua. Valeu pela amizade do senhor que passeava o cão enquanto enrrolava a ganza da ordem do dia. Atenção! é preciso ter cuidado quando se entra num cruzamento!

Hoje ela chegou e sentou-se. Não estava com o sorriso delicioso que traz estampado dia sim, dia sim. Sentou-se e chorou baixinho, como se estivesse a sofrer os erros que não tiveram consequências. Um pavor que a consumia. Uma tristeza, uma frustração. Lágrimas incontornáveis.
Hoje ele chegou e sentou-se. Estava com o sorriso delicioso que traz estampado na cara dia sim, dia sim. Sentou-se e susurrou-lhe baixinho ao ouvido "Vá lá bébé, deixa-me ir aí". Foi o suficiente para vê-la sorrir o sorriso do dia. sim.

Friday, November 18, 2005

3.teza

"Porque nunca nada me agrada" - pintado em tons de pastel.
E ao centro, como tu gostas, meu unico leitor.

Inicial

Direcção Lisboa. Museu da cidade. Apagão de memória, quando dou por mim estou em Santa Marta. Rua das pretas, a subir! Belo Baptismo, penso para comigo. Penso-o em voz alta. Apagão na memória outra vez. Casa dos bicos. Rua da Prata. Rossio. Restauradores. Av. da Liberdade.

Monday, November 14, 2005

Sonho realizado

Dificil? em pensamentos. Em momentos que pareciam prolongar-se p´ra lá de eterno.
Não foi o que aconteceu. Quase bastou fechar os olhos. Sim, ainda cheira a sonho, ainda cheira a algo de inatingível. Quanto tempo vou andar com o sorriso estampado na cara?

Thursday, November 03, 2005

Porquê?

Porquê? Gostava de entender o porquê? porque perco o meu reduzido tempo, igual ao teu, ao dele, ao deles. Medido pelos mesmos ponteiros, a medição precisa, em tudo tão diferente à medição vivida... porque perco eu o meu tempo a discutir contigo? Discussões que me tiram sempre do sério. Falo-te em alhos...respondes caralhos.
Apetece-me mandar-te foder, mas ainda tenho o coração de menina que me faz sempre imaginar "se eu estivesse no teu lugar" - se eu estivesse no teu lugar jamais iria reagir como tu reages, logo, nao estaria nunca no teu lugar, ainda assim, ponho-me na tua pele, imagino-te, tento entender-te. Em vão.
Não entendo, e há coisas que só entendemos se não as tentarmos entender senão a confusão é ainda maior, voam e dançam palavras soltas que dificultam a colagem de um puzzle sem fim.

E não, também nao vou dormir, tenho de te mentir.
É isso que me irrita, que me consome, que me tira do sério. Ter de mentir-te para conseguir libertar-me de ti. Sufocas-me.

"Ok, até podia explicar-te o meu ponto de vista. mas nao vale a pena. é melhor a conversa ficar por aqui" - "falamos de outras coisas se quiseres" - Passamos a merda de um pano quente e fechamos os olhos, falamos de banalidades para tentarmos pintar tudo como se nada se tivesse passado.
Claro, depois queixas-te, como aliás sempre o fazes, queixas-te que nao tenho conversas contigo. É verdade. As conversas que tenho contigo servem só para uma coisa - discussão, discussão, discussão. - quando não, inspiras-me os bocejos.

E escrever-te é a total admissão do tempo perdido.

Excesso de adrenalina no sangue.

Hoje foi um dia bom. Mas para esquecer. (?)
Valeu pela ajuda ao coleguinha. Valeu pela foto. Valeu pela tinta que faz girar o mundo.